Chefe ou Líder?
Postado por admin às 19:19
Os números são de estarrecer. De 60% a 75% dos funcionários de todos os tipos de organização afirmam que o pior aspecto de seu trabalho é o chefe. Esse resultado foi obtido através de pesquisas realizadas por empresas especializadas em Gestão de RH em vários países.
O maior desafio então, seria entender o que realmente se passa na cabeça dessas pessoas que, às vezes, parecem tão alheias ao que, para os colaboradores, está bem debaixo dos olhos de todos.
Infelizmente, ainda é prática comum nas empresas que não contam com o olhar atento de um gestor qualificado, a promoção para cargos de chefia de pessoas com grande desenvolvimento e capacitação técnica, mas sem a chamada inteligência emocional necessária para lidar com pessoas.
O termo inteligência emocional nesse caso, está diretamente relacionado à orientação da equipe no sentido de implementar ações que potencializem o conhecimento das competências individuais, e a motivação e integração do grupo na busca de resultados, não só satisfatórios para as organizações, mas também para a realização pessoal de cada membro da equipe.
Apenas um olhar sob esse prisma permite ao chefe a observância de qualidades como pró-atividade, capacidade de analise, disciplina, organização e comunicabilidade, tudo isso, na opinião de especialistas, fundamentais para o desempenho de qualquer atividade.
Mas, não raras vezes acontece. Aquela pessoa foi promovida a um cargo de chefia. Depois de certo período fica claro pelos resultados obtidos que ela não tem a competência necessária para a posição de líder.
A competência, nesse caso, pode ser analisada como um conjunto de conhecimentos, experiências e habilidades, inclusive em relações interpessoais, que credenciam um profissional a exercer determinada função.
De acordo com Alex Born, mestre em gestão estratégica e especialista em gestão de conflitos, o caminho escolhido pelas empresas nesses casos, e a recolocação dessa pessoa em outras funções, o que gera um desgaste na imagem do profissional, “A empresa não quer perder uma pessoa que foi um excelente profissional. Digo foi, pois na função de chefe, todas aquelas qualificações técnicas que o levaram ao cargo não são suficientes, além dessas qualificações ele deve ser um especialista em gestão de pessoas e exímio comunicador”.
Ainda segundo Born, a consciência das responsabilidades que implicam num cargo de liderança, aliado as pressões do dia-a-dia faz com que aflorem no líder a sua verdadeira personalidade, provocando reações que podem surpreender positiva ou negativamente quem está ao redor: “Além do perfil profissional, conhecer a personalidade das pessoas que trabalham com você, tanto superiores quanto subordinados, pode ajudar a melhorar de maneira significativa os relacionamentos no ambiente de trabalho e até aumentar a produtividade”.
Trabalhar com alguém que cultiva a pressão para obtenção de resultados é bastante complicado e pode trazer repercussões psicológicas, emocionais e até psicossomáticas.
Além disso, Alex Born define como condições fundamentais para ao bom desempenho da função:
• Capacidade de administrar conflitos – A omissão nesses casos não pode existir em hipótese alguma.
• Acolher opiniões – Saber ouvir e avaliar o que é melhor para todos.
• Observar – Quem fala muito ouve pouco, pensa pouco e age de forma rápida e superficial.
• Saber negociar, envolver e convencer.
• Saber delegar funções de acordo com as qualidades individuais observadas.
Atualmente algumas empresas já estão adotando o que chamam de linha do empowerment. Nessa forma de gestão, são atribuídas autoridades para os empregados, de forma que eles possam tomar decisões dentro das respectivas áreas de atuação, o que na prática implica em romper com barreiras hierárquicas e trabalhar com equipes autogerenciadas.
Outro ponto importante, considerando o empowerment, é o desenvolvimento constante de habilidades administrativas, organizacionais e de liderança entre todos os funcionários.
Além disso, existem hoje nos meios empresariais, técnicas de coaching com trabalhos específicos para o desenvolvimento de características pessoais visando à formação de um profissional com perfil de líder.
Mas, de maneira geral, ainda impera nas empresas a velha (e nem sempre eficaz) lei do manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Sabendo que existem chefes e chefes, podemos entender que, aquele que mais se aproxima do ideal é o que não precisa e nem quer parecer chefe, pois sabe que chefia e liderança são coisas completamente distintas.
O chefe se impõe com autoridade (muitas vezes confundida com truculência).
Liderança é conquistada com segurança e uma linha de conduta justa, o que acaba estabelecendo uma relação sólida de confiança e respeito.
* Alex Born – conferencista, consultor e escritor. Formado em Administração de Empresas e Educação Física pela UFSCAR, possui mestrado em Gestão Estratégica de Empresas e é especialista em Gestão de Pessoas. Com trabalhos realizados em 20 países, Born é autor dos livros: Você é pessoa ou tomate?! , Travelers, trotters and backpackers – The ultimate guide , Indo e vindo, Coleção Empresarial: ‘Kooperation Twist’ , Neuromarketing – O genoma do marketing, o genoma das vendas e do método de ensino TOP ENGLISH. .
Texto extraído do site www.rumoaosucesso.com.br
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